sábado, 6 de fevereiro de 2010

A donzela.


A lâmina cortante penetrou a pele fina da donzela. Destacou a primeira escama do tecido celular que, ao assassino parecia inútil. Ainda não satisfeito em deixá-la despida de pele, cavou em direção a sua goela onde ainda podia se ver o pernil da janta. E, decidiu tocar nas veias respiratórias, para sentir em suas mãos o correr do ar. Antes dele se perder no membro que insistia em bater no lado esquerdo do peito. Não suportava ouvir aquela batida constante, parecia ter vida própria. Queria olhá-lo batendo, queria ver sua cor rubra, poder esmagá-lo com as mãos. E assim o fez. Arrancou o seio da donzela. E, ele pode ver a criatura que ainda batia, mas agora com pausas mais longas. Pode ver que ele não era mais vermelho, via-se negro e parecia desafiar o assassino. Ele, irritado puxou o membro e o trouxe para si. Ainda o membro batia. O assassino não tinha pressa. Sentiu o cheiro forte que o membro exalava. Em sua boca provou o gosto da criatura. Fitou o firmemente, depois fechou os olhos. Colocou a criatura entre suas palmas. Fechou-as rapidamente, como se ele pudesse fugir. O assassino silencioso não conseguiu mais ouvir a batida da criatura. Abriu os olhos, e cheio de prazer sorriu. Como fazem todos os assassinos, dementes e sãos. Levantou da poça imunda que se criou. Colocou sua capa negra, e na névoa densa da noite. Retornou ao templo papal.
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Naquela noite fria, Ele se despedia dO Santo. De joelhos pede sua benção. O Santo com ar autoritário sacia o pedido dO Homem. Ele, depois levanta-se e vai em direção ao aposento no final do corredor, mas é impedido pelO Santo, que mais uma vez com sua superioridade, interpela em alto e bom som, mas com cuidado de que somente Ele ouvisse. Ao retornar, à pedido dO Santo, não esquece da recomendação de fechar com as chaves a porta. O Santo pede que O Homem sente-se sobre a cama. Ele negou o pedido, alegando que aquele era um leito sagrado. O Santo não aceitou a negação e o empurra violentamente de costas na cama. O Homem gemeu, na verdade não pela colisão na cama - resvestida do mais puro ouro - mas, o que o feriu foi as mãos pesadas dO Santo e a força que nelas continham. Quando O Santo o perguntou se ele já havia sentido desejos por alguma figura feminina, ele negou. Ao ser indagado do desejo por Sofia, ele contrariou. O diálogo seguia rude por parte dO Santo e monossilabicamente por parte dO Homem, na maioria respostas negativas. Ao final, O Santo realizado, bate na face alva dO Homem. Roça-lhe as pernas e se insere nele com angústia selvagem, mas rapidamente, pois não conseguia mais segurar o gozo.
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Flutuante pensamento negro, que deseja o infinito. Surrupia-me no grito e desprende minha alma ao elefante branco. O que sobrou foi apenas o desejo, aquele mesmo que a ti pertence. O desejo pela mulher fogosa que tem perfume de coentro. Pois suas mãos só servem para o trato dos alimentos. Ela, um dia, desejou ser mais; mas Seu Santo á condenou. Colocou-a de castigo, e da cozinha empoeirada jamais saiu. Mas anos depois foi descoberta. Agora virara mulher, morena de pele lisa e as vezes oleosa, pelo teor da culinária. Quando descoberta, o homem que a viu, passou a deseja-la. Desejava com tanto furor, que já não conseguia mais somente vê-la. Precisava tocá-la, tê-la em seus braços. Beijar seus seios maciços, abraçar suas curvas únicas, roubar-lhe a inocência. Então viria a satisfação, e ele poderia saber o que por ela na realidade sentia. mas pensou longamente, mais uma vez foi tomar um banho frio na cachoeira pra esquecer aquele instinto selvagem. Pois a ele esse desejo não deveria pertencer.
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Naquela noite Sofia estava ansiosa. Parecia esperar por algo ou por alguém. Nervosa ela caminhava de um lado para o outro no quarto. Até que a batida na porta a acalma. Abrindo a porta O Santo. Com seu sorriso irônico e superior ele pede a Sofia um copo de leite fresco em seu quarto. Dá às costas a moça e retorna a seus aposentos. A moça ainda paralisada com o pedido incomum dO Santo, se direciona ao terreno afora. Vai a busca do animal leiteiro e succiona o líquido pedido pelO Santo. Isso ela faz rapidamente pois esta aflita em voltar para o quarto. Ao levar a bandeja, -esta que era feita pelas mais perfeitas mãos indianas e lapidada pelas mais antigas das artesãs- com o leite Sofia ouviu um sussurro que vinha de um dos quartos do corredor extenso do templo. Mas sabia que a ele não podia dar atenção quando O Santo pedia algo, deveria ser feito logo. Apressou-se mais ainda em direção do quarto dO Santo. Ao chegar bateu em seu quarto com a leveza que somente ela o tinha e Ele ja sabia quem era. Pois podia sentir suas mãos sadias e finas. Delicadas como a planta hortense das saladas Portuguesas. Ele abriu imediatamente a porta, sacou seu leite e mandou que Sofia fosse dormir. Ela pediu a benção aO Santo, beijou suas mãos e se direcionou ao quarto. O Santo mais que depressa trancou a porta novamente e esfregou a saliva da menina que ainda repousa em sua mão, no seu sexo.
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Padre Ledo era alguém nervoso. Vez e outra era pego no urinol masturbando-se. Mas era alguém absolutamente culto. Lia muito e escrevia também. Os seus poemas divinos encantavam a todos. Inclusive a bela jovem Sofia, que por horas na noite ficava escutando o Padre Ledo recitá-las. Esta seria uma noite de poemas se não fosse a interpelação dO Santo. Foi rapidamente ao quarto do Padre Ledo e pediu que este abrisse a porta. Ele mais que depressa abriu, parecia estar esperando aquele pedido, como se o que ele fosse fazer dependia sua vida. Ao saber que ela não ficaria ali aquela noite, ficara furioso. Mas acalmou-se quando ela beijou-lhe a face. O beijo mais puro. Podia sentir os vermelhos e carnudos protetores da boca dela. Ainda podia sentir o seu perfume, que misturava o óleo e a alfazema. E ficou perdido na paixão e no desejo por minutos. Que nem percebera que ela já tinha partido. Somente voltou a si quando ela bateu a porta do quarto onde ela descansaria até a primeira hora do amanhecer.
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Aos primeiros raios solares ainda por baixo da neblina, pode-se escutar o cantarolar dos passaros e junto deles aquela voz macia que entoava horizonte afora. Sim ele ao longe pode escutar aquela voz e bastou isso para deixa-lo curioso ou sedento. E nao demoraria muito para que ele decobrisse de quem era aquela voz preciosa. Logo cedo Sofia ja estava na cozinha a preparar o desjejum papal. ate mesmo porque O Santo era preciso, antes do galo cantar ja estava gritando pelo nome de Sofia. Mas esta manha nao, esta manha o galo cantou e Ele nao chamou a menina. Ela preocupada foi ter com no Padre Ledo. Ele em tom nada suave- pois odiava ser acordado, ainda mais tao cedo- retrucou, mas foi ao quarto dO Santo para saber o que acontecera. Qual foi sua surpresa quando avistou uma poça de sangue bem rente a porta. Sofia desesperada comecou a gritar e chamou por Lorenzi, que e claro como sempre atendeu a menina com maior prontidao. Ao chegar na porta pode evidenciar aquela cena. E ainda pode acalmar a moca aterrorizada. Mas para nao perder tempo Padre Ledo estancou a porta e pode mesmo ver o que tinha acontecido. O Santo estirado em cima da cama nu e empalado.
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A cidade deixou de ser a mesma e todos comentavam o que acontecera com O Santo, era algo muito inesperado para a pequena população daquela vila que já estava desconfiada de todos, pois os crimes que vinham acontecendo já estava aterrorizando a população.
Padre Ledo foi logo cedo preparar tudo para o enterro dO Santo.
De fato no enterro dO Santo, ninguém sabia o que realmente tinha acontecido, como Ele tinha sido morto. No velório que aconteceu no fim da tarde e com caixão fechado, tudo era somado com muita riqueza. As mais diversas autoridades estavam presentes, até mesmo o Papa mandara um representante para que fizesse o pronunciamento oficial no adeus ao Santo.
Sofia ainda tremula e com muito medo não esteve presente no velório dO Santo, mas sim em seu enterro. Ao longe avistava toda a movimentação que se tinha na pequena vila. Muitas mulheres chorando pelO Santo, muitas queriam vê-lo, porém os policiais que ali se faziam presentes, não permitiram a abertura do caixão. Outras cristas diziam que apenas queriam tocar no manto que foi colocado em cima do caixao dO Santo, para que por uma ultima vez pudessem agracia-lo como Santo. Os homens que acompanhavam o cortejo funebre, seguravam as beatas que aos gritos, clamavam até mesmo por curas de doenças. Outras alegavam que não era O Santo naquele caixao. Mas o enterro findou e chegou aonde ia ser enterrado O Santo....
CONTINUA............

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