domingo, 29 de maio de 2011

Desejos Ocultos


O sentimento voa longe
Quando meus olhos cruzam os seus
Sei que minha visão embaça
E que minhas pálpebras se fecham
A ilusão de um toque seu
Sua boca ardente
Por uma retribuição de desejo
De sonho, de amor e beijo
Algo que imagino
Sob nuvens a beira mar
Um silêncio a te abraçar
Mas seu abraço às vezes me machuca
Não pela sua força
Mas por não poder tê-lo
Quando quero
Tão grande a dor
De não poder ouvir sua voz
Nas manhãs que o vento traz a brisa
Sei que sempre me avisa
Sobre essa impossibilidade
Mas talvez meu coração
Não tenha ouvidos
E queira se deixar envolver
Mesmo que seja pelo silêncio
E pela dor de não te ter

sábado, 28 de maio de 2011

Seu samba meu

Se nas calçadas se dança o samba da alegria
Eu posso sentir a alegria de dançar ao seu lado
Nada me tira o prazer de sorrir e cantar
O que levou o vento traz esta canção
Por vezes caio ao chão: cansaço
Mas às vezes me embriago com um rum barato
E mesmo cansado danço ate o amanhecer
Lembrando que a noite ainda me trouxe o prazer de te conhecer
De ver seu rebolado, seu samba passadinho
E eu apressado em ter seu toque
Sambo também seu samba miudinho
Seu cheiro se alastra pelas vielas alegres da Bahia
E seu sorriso enche os tambores da Praça da Piedade
Queria que este carnaval não se acabasse
E que seu samba fosse meu
E o carnaval fosse lá em casa
O ano inteiro.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Absurdos ( Curitiba, 05/05/2011)

Como chorar sobre as folhas rubras
Se elas caíram e secaram no chão?
Como chorar sobre o chão se ele desmoronou
E virou entulho, dor, lama e terra?
Como chorar sobre a terra
Se ela já esta molhada com as lagrimas de crianças?
Como chorar sobre uma criança
Se tudo o que ela mais quer é alegria?
Como chorar sobre a alegria
Se ela é tão feliz?
Como chorar sobre a felicidade
Se ela não esta em mim?
Como chorar em mim
Se já me cansei de chorar?
Quero enxugar minhas lágrimas
E sorrir
Sorrir para um mundo bonito
Que cresçam rosas e crianças
Lindas e felizes
Sorrir para um mundo que abra sua boca
Para dizer coisas que inundem meu coração de amor.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Vamos Combinar (para Curitiba)

Vamos combinar
Hoje Botânico ou Tanguá
Esqueço meus problemas
Não faço mais poemas
Não pego meu irmão na escola
Vou pedir esmola
Irei juntar sacolas
Dormir nas marquises bancárias
Venderei doce no sinal
Apanharei do policial
Esquecerei meus cadernos
E meu curso de Direito
Falarei com o governo
Sobre injustiça social
[Não me ouvirá, eu sei]

Vamos combinar
Não sairei cedo da cama
Nem ouvirei rock and roll
Desperdiçarei minha comida
Jogarei lixo nas ladeiras já fedorentas
Lerei uma revista
A coluna social
Saberei sobre tudo
Da modelo internacional
À noite tomarei um champagne
Com meu amigo maioral
Falarei com o governo
Sobre riqueza e capital
[hum, agora sim ele me ouvirá]
...Em edição...

Vamos Combinar

Vamos combinar
Hoje ando a beira-mar
Esqueço meus problemas
Não faço mais poemas
Não pego meu irmão na escola
Vou pedir esmola
Irei juntar sacolas
Dormir na Hercílio Luz
Venderei doce no sinal
Apanharei do policial
Esquecerei meus cadernos
E meu curso de Direito
Falarei com o prefeito
Sobre a injustiça social
[Não me ouvirá, eu sei]

Vamos combinar
Não sairei cedo da cama
Nem assistirei nenhum bom jornal
Desperdiçarei minha comida
Jogarei lixo em nosso quintal
Lerei uma revista
A coluna social
Saberei sobre tudo
Da modelo internacional
A noite tomarei um champagne
Com meu amigo maioral
Falarei com o prefeito
Sobre riqueza e capital
[hum, agora sim ele irá me ouvir]

domingo, 17 de abril de 2011

Por que eu escrevo!

Aos lamentos dos inocentes que escrevo
Livro-me dos sensacionalistas
E dos astutos estadistas
Que figuram na praça em comícios simulados
E dissimulados
Aos negros que escrevo
Pela força de sua raça
Que encontramos em cada cunhal de nossas cidades
Antes mesmo do alvorecer
Lutando pelo pão do dia
É pelas mulheres que escrevo
E não somente porque sou uma
Mas porque de mulheres
Todos nós temos
E também por toda sua força e garra
É pelo socialismo que escrevo
Por uma sociedade imparcial
E livre de preconceitos

sábado, 12 de março de 2011

Naquele balanço podia voar
Poderia subir acima das nuvens e ver tudo abaixo delas
Imaginava o quão era maravilhoso ser livre
Posso ainda ouvir os gritos das crianças na praça
Enquanto eu sentia o vento em meu rosto
E meus cabelos voando infinitamente
Acompanhando o vai e vem daquele balanço
Que ao menos aquele momento me pertencia
Que poderia ter as minhas mãos
E no meu controle o poder de observar de cima
De poder imaginar a vida além do chão
As flores da beira da praça
Ainda eram as preferidas da professora na escola
As folhas caiam sobre as calçadas e as inundavam
Poderia eu me jogar ao chão sem me machucar
E poderia morrer de rir em cócegas
Podia sentir o afago de um abraço
Sem me preocupar com o amanha
E nem se um dia ia sentir falta dele
Mas ainda quer ficar naquele balanço
Sentindo o vento gelado da serra
E sorrindo as vezes de alegria
As vezes de desespero
Por estar mais alto.
[Sem Titulo, 04/03/2011]
Ana Oliveira

sexta-feira, 4 de março de 2011

Mal afortunados

Mal afortunados são as crianças
Aquelas que pendem das janelas das casas
Mas que não tem medo
Não tem comida e se contentam com a fome
Mal afortunadas são as mulheres
Que vendem seus corpos
Para comprar pao e leite a seus filho
Mal afortunados são os cegos
Que todos os dias enfrentam a selva
Daqueles que tem olhos
E se acham reis
Mal afortunados são os pobres
Que todas as madrugadas levantam
Para sair a procura do lixo que e do outros
Mas que para ele e sustento
Mal afortunadas são as mães
Que ficam gravidas e a mercê de um governo corrupto
Mal afortunados sao os homens
Que saim a procura de trabalho
E não conseguem por falta de oportunidade
Mal afortunados são aqueles
Que todos os dias limpam a sujeira de outros
Mal afortunados são os alunos
Que vao a escola em troca de uma nota azul
Mas que nunca se quer viram uma delas
Mal afortunados são aqueles que passam fome
Que tiram a comida de sua boca e dao ao próximo
Mal afortunados também são os seres
Que pensam ser bem afortunados
E que não olham aquele próximo
Mal afortunado
Mas bem aventurado